Artigos A cidade ficou famosa a nível nacional devido a este acontecimento
O buraco de Cajamar
8/09/2010 | 05:18
Dona Célia levantou bem cedo naquele 12 de agosto de 1986 . O Sol mal tinha nascido. Precisava enfrentar uma fila na padaria, disputar com outras pessoas o pouco leite deixado pelo Plano Cruzado. Quanto mais cedo, menos fila. Nesses dias de pouco leite, outras pessoas da Rua Barão do Rio Branco estavam fazendo o mesmo sacrifício. Dona Célia já de volta, preparando o café para seus três filhos, às 6h30 escutou um estrondo. Rapidamente saiu de sua casa para ver o que havia ocorrido. Neste mesmo instante, outros moradores da antiga Rua Barão do Rio Branco, hoje Rua Waldomiro dos Santos, apareceram muito assustados. Os questionamentos logo começaram a surgir, e consequentemente as suposições.

Os comentários foram diversos: pensaram em briga, tiro de espingarda, assassinato, explosão de dinamites na pedreira, rendeu muita conversa. Até que uma das vizinhas percebeu que havia pequenas rachaduras nas paredes de sua casa, fazendo que outros também observassem suas casas. Levaram um susto: encontraram fios irregulares em toda extensão da parede, que antes não existiam.

O vice-prefeito, que estava chegando ao bairro, foi informado pelo próprio dono do quintal, Hércules de Souza, filho de d. Roquelina, que havia um buraco estranho e profundo em sua horta de couves, exigindo providências da Prefeitura.

As 8h30 o prefeito da época atendeu o sr. Hércules, que estava desesperado com o inexplicável buraco que aumentava de modo acelerado. Incrédulo, o prefeito Aristides de Oliveira Ribas de Andrade fez pouco-caso da notícia. Mesmo assim, dirigiu-se ao local, confiante que encontraria no máximo um poço aterrado, onde a terra tinha se acomodado. Ao chegar ao local logo mudou de opinião, pois vira o buraco aumentar com velocidade, nunca tinha visto algo como aquilo. Sendo assim, rapidamente foi tomar as devidas providências.

Contatou o Corpo de Bombeiros e por precaução um engenheiro do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). Ao voltar ao local novamente o prefeito levou um susto – num período de duas horas a horta de couves já havia sido toda engolida. Até que os técnicos do IPT chegaram e preferiram não dar palpites e sim já partir para as perfurações no solo e ter as devidas informações. Logo descobriram no subsolo uma fantástica caverna de água. Era preciso fazer novas perfurações. A Prefeitura não tinha verba para pagar a empreitada e teve que recorrer a Franco Montoro, então governador de São Paulo. Ao tomar conhecimento do fato, Montoro voou para Cajamar de helicóptero e viu que o buraco já engolia a casa de Hércules inteira.

Apesar da dimensão da tragédia, não houve vítimas. Ao todo foram 24 perfurações, que permitiram uma explicação preliminar. Os poços artesianos da fábrica de bebidas e da Sabesp estariam extraindo água em excesso do subsolo, causando o desmoronamento da terra.

No dia 21 de agosto houve um novo estrondo.O prefeito decidiu interditar as casas. Os moradores da Rua Barão do Rio Branco teriam de deixar as casas conquistadas com tanto sacrifício.

Os geólogos estudavam o assunto. Ainda não era possível precisar o grau de risco daquelas cavernas subterrâneas. O prefeito, com receio de ser acusado de omisso, juntou, no dia 10 de setembro, as lideranças locais e, com elas, decidiu remover o mais rápido possível as 500 famílias residentes nos 22 quarteirões do Lavrinha. Os moradores sabiam da reunião na Prefeitura. Surgiu o boato de que o prefeito tinha um plano secreto, aproveitando-se da situação para retirar todos do bairro e entregar as terras para uma empresa de exploração.

No período da tarde, uma comissão reunida pelo prefeito passou de casa em casa pedindo que os moradores juntassem os seus pertences. À noite, quando todos os chefes de família já tinham chegado a suas casas, houve uma reunião na praça do bairro, à qual compareceram cerca de 3.000 pessoas. O padre Paulo André comentou que naquela reunião o silêncio predominava, todos atentos e apreensivos. Naquela noite o padre falou, o prefeito falou. Após as falas, os moradores foram embora em silêncio, muitos choravam. O dia seguinte foi dramático. Os caminhões iam estacionando na frente das casas, as pessoas tendo que se mudar sem querer e sem saber para onde. Muitos se recusaram a sair. Uma senhora, moradora da antiga Rua Dom Pedro morreu – dizem que foi de susto. Alguns moradores foram para a casa de parentes, outros para as casas do Grupo Abdalla. Aqueles que não tinham para onde ir foram acomodados nas sete escolas existentes no município. No Grupo Escolar Suzana Dias, em Cajamar Centro, várias famílias dividiram as salas com os seus móveis.
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